R
Redação Sou Tricolor de Coração
Opinião tricolor ·
Fla-Flu expôs o que o Flu não quer admitir: o time ainda não está pronto para o topo
O Fluminense perdeu o Fla-Flu por 2 a 1 e, com ele, a ilusão de que estava acima dos próprios problemas. A derrota não foi só de resultado — foi de atitude, de escolhas e de postura dentro e fora de campo. Tem coisa séria para resolver antes que a temporada vire bagunça.
Vamos direto ao ponto: o Fluminense não foi apenas inferior ao Flamengo no domingo. Foi desorganizado, passivo e chegou ao clássico já em desvantagem — e não estou falando do placar.
Antes da bola rolar, a diretoria tricolor concordou em adiar o jogo de sábado para domingo para agradar o rival. Resultado? Os jogadores ficaram sabendo do adiamento pelo dia seguinte, sem direito a opinião. Samuel Xavier foi honesto na zona mista: "Os jogadores não tiveram voz nenhuma sobre isso." Isso não é gestão esportiva, é amadorismo administrativo disfarçado de cordialidade. Você cede seu direito de mandante, compromete o descanso antes da Libertadores e ainda perde o jogo. Parabéns, ninguém ganhou nada.
Dentro de campo, o primeiro tempo foi um vexame. Lucho Acosta saiu lesionado aos seis minutos — suspeita de torção no joelho, exames nesta segunda — e o time simplesmente desmoronou. A entrada de Ganso no lugar do argentino foi a alternativa disponível, mas não funcionou. Não é culpa do Ganso existir no elenco; é problema de um elenco que ainda depende demais de duas ou três peças para funcionar. Tirou um, caiu tudo.
Fábio teve uma atuação ambígua: fez defesas importantes, mas errou no lance do primeiro gol. Fábio ainda é melhor, mas a discussão de goleiro fica para outro dia. O ponto central é que a defesa foi um passeio para o Flamengo. Samuel Lino fez o que quis pelo lado direito, e o segundo gol foi consequência direta dessa liberdade excessiva. O time não se ajustou, não corrigiu, e pagou o preço.
Zubeldía assumiu responsabilidade na coletiva, e isso tem valor. Mas assumir responsabilidade sem mudar as decisões que geram os problemas é discurso vazio. A grande questão é: por que Savarino começou no banco? O venezuelano entrou aos 20 minutos do segundo tempo, mudou o jogo, marcou o gol e ainda poderia ter empatado. Enquanto isso, Serna foi titular e desapareceu. A lógica de Zubeldía precisa de explicação mais convincente do que "conexão entre Ganso e Savarino." Você não cria conexão deixando seu melhor jogador no banco em um clássico.
Savarino, aliás, é o nome que precisa sair do papel de opção para virar certeza. Não tem mais espaço para essa discussão. Os números e os olhos dizem a mesma coisa.
O Fluminense ainda está na parte de cima da tabela do Brasileirão, com 20 pontos, e isso não pode ser ignorado. Mas a série de 16 vitórias em casa acabou, Cano está lesionado, Acosta preocupa, e na quarta-feira tem Independiente Rivadavia pela Libertadores — competição em que o Flu já tropeçou na estreia. O calendário não vai esperar o time se achar.
Tem trabalho a fazer. Muito. E rápido.